“Flexibilidade Curricular deveria servir para democratizar o sucesso das escolas”

No século XXI, e num mundo efetivamente tecnológico, será possível continuar a olhar e a fazer Educação sem transdisciplinaridade, sem democratização e sem escolas fortes? No Seminário “Os Novos Desafios da Escola do Século XXI”, em Sines e na presença de mais de 100 pessoas, docentes e investigadores mostraram que o sucesso tem obrigatoriamente que passar pelo diálogo, pela articulação de currículos, pela flexibilidade, pelas pedagogias, pelas tecnologias e por centrar a atenção nos alunos. Ariana Cosme, da Universidade do Porto e nome incontornável na área das práticas pedagógicas inovadoras no âmbito da gestão curricular e do processo de ensino-aprendizagem, vincou claramente que este é o tempo de experimentar um outro tempo de ser escola.

A consultora-assessora do Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular, em curso em 230 agrupamentos de escolas em Portugal, não tem dúvidas ao referir que “o desafio que se coloca à Escola atual é enormíssimo e que a dimensão da interlocução é a dimensão em que se deve trabalhar”. Ariana Cosme acredita que “passamos o tempo a hipotecar o tempo das aprendizagens, quando deveríamos democratizar o sucesso. Com rigor, com exigência e qualidade, as diferenças têm que ser ultrapassadas pela e com a Educação para conseguirmos escolas fortes e democráticas”.

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Ariana Cosme e Bernardette Almeida

No Seminário, organizado pelo Centro Local de Aprendizagem da Universidade Aberta em Grândola e pelo Município de Sines, uma das investigadoras internacionais pioneira na concepção e desenvolvimento de softwares, jogos educacionais e ambientes virtuais tridimensionais mostrou o porquê de focar o seu trabalho no papel do “aluno-produtor”. No caminho de escutar os alunos, de os ajudar a olhar, Eliane Schlemmer, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, aposta nos “alunos-produtores das suas próprias aprendizagens” através do uso das tecnologias, “não como recurso apenas, mas como estratégia, num movimento de associação entre atores humanos e não humanos”.

Posição também defendida pela docente da Universidade de Coimbra, Sara Dias-Trindade. Na escola actual, ainda palco de aprendizagens rígidas, é necessário trabalhar as competências para o século XXI e as tecnologias surgem como um aliado natural, pois permitem a combinação de pedagogias inovadoras com um uso eficaz de ferramentas e estratégias. Socorrendo-se das teorias defendidas por vários autores da atualidade, a investigadora reforça que “temos de aprender a aprender em ambientes digitais, aprender a funcionar numa sociedade digital e aprender a usar as suas respetivas ferramentas digitais”.

Num país que continua aquém dos objetivos traçados pelo programa Europa 2020, como mostram dados recentes do Eurostat relativos aos indicadores da evolução da educação nacional, “temos que incorporar os vários atores e autores, pois não tem que existir uma rutura, tem que existir diálogo!” vincou José António Moreira. O docente da Universidade Aberta e coordenador científico da ELO encerrou a mesa-redonda do Seminário, definindo o desafio maior que se apresenta à Escola do Século XXI: “O grande desafio é o diálogo entre o analógico e o digital, entre o offline e o online, o diálogo entre pedagogias, entre competências, entre estratégias e tecnologias”.

Fotos: Câmara Municipal de Sines